Por Ana Ligia em 03/06/2016

Se você é mulher, pode já ter passado pelo constrangimento de sofrer algum tipo de agressão sexual. Seja do seu chefe no trabalho, professor, parente, no ônibus ou na rua, não se engane; não é preciso ser tocada para se sentir abusada. E muito menos deve ficar calada diante diante de situações do tipo.

Além dos abusos sexuais que não chegam a machucar fisicamente, há também casos que não só agridem o psicológico, mas ainda o corpo. O estupro é todo ato que envolve sexo sem o consentimento de uma das partes.

Alguém transou com quem se encontrava inconsciente, uma mulher se sentiu ameaçada a ter relações e só por isso fez, uma pessoa concordou sair com dois, mas na hora eram três e foi forçada, uma outra aceitou ter contato sexual, mas depois mudou de ideia e não quis mais e mesmo assim teve que fazer o ato? Não se engane, tudo isso é estupro.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, apenas 10% dos estupros que ocorrem são denunciados. E mesmo assim, só em 2014 mais de 50 mil casos chegaram até a justiça. Mas como um ato, que chega a ser surreal saber de sua existência, tem 90% de casos passados despercebidos aos olhos da lei? A resposta é cruel, mas, simples: culpabilização da vítima.

Imagem de caso de assédio à mulher no trabalho

Foto: Depositphotos

O caso do estupro coletivo que aconteceu em maio de 2016, com uma adolescente de 16 anos no Rio de Janeiro (RJ) é um “caso perfeito” para exemplificar o assunto.

Quantas matérias e textos foram divulgados em que colocavam a menina como a grande culpada da história e não quem abusou dela enquanto estava dopada? Muitos “se ela estivesse em casa estudando isso não teria acontecido” e poucos “se os 33 homens estivessem em casa estudando isso não teria acontecido”.

Mas a solução seria todas as mulheres se trancarem em casa? O mesmo levantamento aponta que 70% dos casos de estupro são feitos por conhecidos da vítima. Pais, padrastos, tios, irmãos, enfim, pessoas para quem sempre se abre as portas do lar.

É preciso romper com o pacto do silêncio e parar de deixar essas pessoas impunes. Denunciar, seja pessoalmente ou por meio do auxílio de canais eletrônicos é, no momento, a única arma restante.

Como denunciar?

Conselho Tutelar

Em caso de abuso de menores, recorra ao conselho tutelar do seu município. Cabe a eles receber e investigar esse tipo de denúncia e depois levar o ocorrido até o Ministério Público (MP).

Varas da Infância e Juventude

Se o seu município não possui conselho tutelar, a Vara da Infância e Juventude também recolhe as denúncias.

Delegacia da Mulher

Na primeira agressão, mesmo que não haja com contato físico, recorra à delegacia da mulher e evite maiores problemas.

Disque 100

Por meio do disque 100 você pode denunciar casos de violência contra mulheres, crianças e adolescentes. O serviço funciona das 8h às 22h, inclusive nos finais de semana e feriados. A denúncia é sempre feita no anonimato e sua identidade jamais será revelada.

Aplicativos de denúncia contra abusos

Clique 180

Uma iniciativa da ONU (Organização das Nações Unidas) Mulheres no Brasil, o aplicativo contém toda a Lei Maria da Penha, mostra as delegacias mais próximas da vítima, orienta as mulheres que sofreram qualquer tipo de agressão e explica as diferentes formas de violência de gênero. Possui um botão de ligação direta para o 180, número da Central de Atendimento à Mulher.

Minha Voz

Funciona para a vítima relatar e ler os abusos que diversas pessoas sofrem. O principal intuito do aplicativo é mostrar que nenhuma mulher está sozinha. Também mostra mapa com as delegacias mais próximas e números úteis em caso de agressão.

bSafe

Funciona como um botão de emergência caso a mulher não se sinta segura. Se for preciso andar sozinha, pode, através do aplicativo, convidar alguém para acompanhar o trajeto via GPS, garantindo que qualquer desvio da rota seja notado. O grande diferencial é que, quando pressionado o botão, automaticamente uma sirene é disparada e o celular começa a gravar e filmar tudo.

Independente do lugar, pessoas ou roupa que a mulher anda a culpa jamais será da vítima. Pois se houve uma agressão é porque havia um agressor. Denuncie.

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