Por Pollyana Batista em 12/04/2018

Muitas mulheres que têm problemas para engravidar recorrem a tratamentos contra a infertilidade. Porém, uma pesquisa realizada pelo Instituto Karolinska, na Suécia, divulgou um dado preocupante.

A cientista Frida Lundberg, líder do estudo, descobriu que a estimulação ovariana pode aumentar as chances de câncer de mama.

Isso acontece pois muitos medicamentos são utilizados para aumentar a quantidade de hormônios como o estrogênio e a progesterona. A combinação dessa dupla é responsável por aumentar a densidade das mamas das pacientes. E, é aí que mora o perigo.

Relação da fertilização com o câncer de mama

“Muitas pacientes que se submeteram a tratamentos de fertilização ainda estão abaixo da idade em que geralmente o câncer de mama é diagnosticado. Isso nos motivou a investigar, pela primeira vez, a ligação entre tratamentos de infertilidade e densidade mamária”, explica a médica. Para isso, a pesquisa investigou dados de 43 mil mulheres, entre 40 e 69 anos.

As mulheres com densidade mamária maior têm mais chances de desenvolver câncer de mama

Os vilões são os medicamentos para aumentar a quantidade de hormônios (Foto: depositphotos)

A densidade mamária é um problema, pois ela dificulta o diagnóstico dos exames comuns. Como diz Yoon Chang, coordenador do Departamento de Mama do CDB Medicina Diagnóstica, em São Paulo: “durante a mamografia […] nem sempre os resultados são conclusivos. A composição mamária está relacionada às quantidades relativas de tecido adiposo (‘escuro’ na mamografia) e fibroglandular (‘branco’ na mamografia). Mas nem sempre as imagens são claras o suficiente para não deixar dúvidas. Isto porque os tumores também são densos (‘brancos’), dificultando a diferenciação entre os tecidos”.

Veja também: Câncer de mama: conheça 8 mitos e verdades sobre a doença

Desta forma, as mulheres com densidade mamária maior têm até cinco vezes mais chances de desenvolver câncer de mama, por conta da dificuldade de visualização dos tumores.

Mamografia e ultrassonografia de mamas

Por isso, os especialistas aconselham que as mulheres nessa situação façam a mamografia, mas não deixem de fazer também a ultrassonografia de mamas.

“Estudos demonstram que a acurácia diagnóstica da combinação entre mamografia e ultrassonografia pode ser superior a 90%. A ultrassonografia também é fundamental nos casos em que a mamografia se mostra inconclusiva devido à presença de um nódulo”, esclarece o radiologista.

Diagnóstico

O especialista lembra ainda que “todo nódulo pode ter natureza cística, sólida ou ser uma combinação dos dois, esse tipo de informação somente é plenamente obtido através da ultrassonografia. Vale lembrar que, devido às particularidades do tecido mamário, a mamografia deve ser realizada sempre antes da ultrassonografia, a fim de se verificar os reais ganhos em termos de diagnóstico”.

Veja também: Brasil: 600 mil novos casos de câncer de mama devem surgir

Diante de todas essas informações, as mulheres precisam ficar atentas, principalmente as que fazem ou fizeram tratamento à base de hormônios para engravidar. Já aquelas que têm a mama densa naturalmente precisam realizar exames rotineiros para evitar complicações de saúde.

Veja mais!