Por Katharyne Bezerra em 25/07/2016

Cada vez mais as palavras amor, amizade e felicidade são utilizadas com maior frequência. Muita vezes, porém, para nomear relações que elas não representam na realidade. Isto deve-se ao fato de que os vínculos entre as pessoas estão desgastados devido ao interesse, sempre presente em um sistema que visa sempre o lucro e a aquisição de bens materiais. No caso da felicidade, por exemplo, inúmeras vezes associada à compra de um imóvel ou veículo ou mesmo a conquista do emprego dos sonhos. Mas, será mesmo que ela é encontrada nos bens materiais?

Para a psicoterapeuta e líder coach Maura de Albanesi, conquistar bens materiais é uma sensação que desperta prazer, mas esta não seria a verdadeira felicidade. “A felicidade é um estado de alma que não consiste em ter as coisas, mas em ser aquilo que você almeja. Então, ela é um estado (interno) duradouro, não momentâneo”, explica. Portanto, para a doutora os picos de alegria não representam este sentimento.

Afinal, o que é a felicidade?

Quando as questões tratam-se de sentimentos, as respostas são bem subjetivas, pois cada um tem uma maneira de ver e sentir o mundo. Contudo, a especialista ressalta que a felicidade não é algo encontrado fora do corpo, mas sim uma experiência que surge de dentro para fora. “Nós temos muitas coisas externas e poucas coisas que adquirimos internamente e, com isso, a felicidade vai se distanciando”, afirma Albanesi.

“A felicidade vem junto com prazer em tudo o que fazemos. A felicidade consiste em trazer para o dia a dia o prazer de viver das coisas como elas são e não como elas deveriam ser segundo o nosso julgamento”, explica. Ainda segundo a psicoterapeuta, que é mestre em psicologia e religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a felicidade é uma decisão que implica em dois caminhos distintos: o lado bom de estar triste e lado ruim em estar feliz.

Felicidade é um estado interno que apenas necessita de uma decisão

Foto: Depositphotos

“A tristeza tem ganhos secundários, principalmente, quando traz a atenção das pessoas para conosco. A gente também atrai essa tristeza como uma forma de receber carinho. E quando estamos felizes e radiantes também tememos a inveja”, detalha. Portanto, cabe a cada um escolher entre ser feliz ou comungar aos poucos de momentos alegres.

A ‘obrigatoriedade’ de ser feliz

Para Albanesi, ainda existe um fator externo que interfere na felicidade plena, isto é, a imposição da sociedade. Isto porque, você nunca consegue alcançar o estado feliz, tendo em vista que por mais que você consuma bens materiais, sempre vai surgir algo novo que você ainda não tenha e que te faça infeliz por não ter. Consequentemente, torna-se uma “bola de neve”.

“A sociedade vai propor o consumismo como forma de chegar ao estado de felicidade. E com isso, nós achamos que ‘ter alguma coisa’ significar ser algo. A própria palavra diz ‘ser feliz’ e não ‘ter felicidade’”, diferencia a psicoterapeuta. E continua: “A palavra ‘ter’ vem de um ganho externo e o ‘ser’ vem de um ganho interno. Então, realmente, a sociedade propõe uma felicidade inatingível e quanto mais temos esta visão, mais queremos”, completa.

Como ser feliz?

Não existe uma receita para se tornar uma pessoa feliz, mas você pode começar a criar hábitos que somem sentimentos bons na sua vida. Com esta linha de pensamento, Maura de Albanesi indica que as pessoas tomem a decisão de serem felizes, por meio de atitudes básicas do dia a dia, como:

  • Fazer o que gosta;
  • Construir amizades sólidas e verdadeiras, bem como se relacionar com pessoas do bem;
  • Conhecer novos lugares;
  • Desenvolver a espiritualidade, que pode estar ou não relacionada às religiões;
  • Procurar a paz de espírito, tentando ver as situações com uma ótica diferente.

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