Por Ana Ligia em 09/11/2016

Situações como picos de agressividade, alterações bruscas de humor, perca do interesse sexual, desânimo para realizar atividades de lazer, apatia diante de tarefas domésticas, autoestima baixa e desleixo são comuns no dia a dia de pessoas que sofrem com a depressão.

Embora muitas vezes possa parecer ser difícil lidar com alguém que possua essas características, o apoio do parceiro é, justamente, um dos pilares fundamentais para a adesão do paciente ao tratamento.

A depressão é conhecida como a “doença do século”. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 11 milhões de pessoas sofrem com o problema só no Brasil.

Depressão: o que fazer quando o parceiro(a) sofre com o problema

Foto: depositphotos

E embora seja uma doença que afeta tanta gente, ainda existe muita desinformação e preconceito girando em torno da depressão. Isso acaba dificultando a discussão sobre o tema.

O papel do parceiro(a) é encorajar o companheiro(a) que sofre com o problema falando abertamente sobre o assunto, fortalecendo os laços de confiança entre os amados.

“Trata-se de uma doença que traz um estigma para os pacientes, que muitas vezes não são compreendidos nem mesmo pela família. Somente com informação de qualidade é que os familiares poderão entender que se trata de uma doença reconhecida pela (OMS), que apresenta vários aspectos biológicos e não tem nada a ver com preguiça, falta de força de vontade ou fé”, analisa o psiquiatra, Joel Rennó Jr.

Como ajudar?

O cônjuge pode exercer um papel fundamental no sucesso do tratamento, atuando como um elo entre o médico e o paciente. “Sem dúvida, a luta contra a desistência do tratamento é muito mais leve quando o companheiro do paciente trabalha em conjunto com o médico, especialmente nos casos graves de depressão”, ressalta o especialista.

O parceiro pode, por exemplo, ficar responsável pela medicação prescrita pelo médico, assumir temporariamente algumas tarefas domésticas, compreendendo sempre que a fadiga excessiva e apatia são sintomas da depressão.

Caso o paciente concorde, o cônjuge também pode se oferecer como companhia para sessões de psicoterapia, estimular que ele se alimente bem, tenha um rotina de exercícios e um bom padrão de sono.

A irritabilidade é um sintoma que está associado ao quadro de depressão e que pode acabar interferindo diretamente na relação a dois.

“Na verdade, são vários os sintomas que podem atrapalhar um casal nos casos de depressão. Muitas vezes o cônjuge se vê tomado pela impaciência diante de alguém que está apático, irritado e sempre triste, alguém que tende a valorizar demais as casualidades negativas e que pode até mesmo se tornar uma pessoa controladora, com medo de que o familiar se afaste”, complementa o psiquiatra.

Perda de libido e vida sexual

Outro sintoma que acaba desgastando a relação é a perda de libido. A depressão pode levar ao desinteresse pelo sexo e alguns medicamentos anti-depressivos também podem ter impactos negativos sobre a libido.

“As pessoas chegam ao consultório com uma ideia distorcida sobre os efeitos colaterais dos antidepressivos, que atuam de forma diferente em cada um dos pacientes. Hoje, há medicações que já não exercem impacto significativo sobre o peso do paciente nem sobre o desejo sexual”, esclarece Rennó Jr, lembrando que outros fatores, físicos e psicológicos, podem interferir na libido, como alterações hormonais, algumas doenças e a qualidade da relação conjugal e da vida sexual no período anterior à depressão.

A evolução e os aprofundamentos nos fatores relacionados à depressão têm possibilitado o surgimento de tratamentos cada vez eficazes e seguros, como os antidepressivos de terceira geração.

Esses medicamentos são capazes de equilibrar a disponibilidade de dois neurotransmissores importantes e diretamente relacionados aos quadros de depressão: a serotonina e noradrenalina.

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